domingo, 13 de outubro de 2013

Esteja Pronto!!!

Este final de semana assistimos a dois eventos que necessitaram de ações extremamente precisas de dois policiais militares em circunstancias semelhantes.
No primeiro caso, um motociclista ao passear com sua moto Hornet pela capital paulista, foi abordado por um meliante, que diante da ameaça de uma arma de fogo, a entregou sem oferecer resistência, tendo o bandido subido em sua moto, no momento em que um policial militar que retornava em seu carro para sua residência, visualizou o evento e cumprindo seu dever, disparou duas vezes contra o bandido, o qual foi atingido no tórax e na perna. Resultado: Bandido socorrido ao Pronto Socorro e bem material devolvido a seu proprietário.
No segundo caso uma Sargento da Policia Militar do Amazonas, ao sair das compras em um Supermercado da cidade, acompanhada de sua filha de 7 anos de idade, foi abordada por um bandido no estacionamento, sendo ameaçada de que este portava uma arma de fogo sob a camisa e exigindo que entregasse a chave de seu veículo. Sua filha que já havia sido orientada a agir em situações como esta, conseguiu se abrigar, e a policial percebendo que o bandido blefava, sacou sua pistola e rendeu o meliante. Resultado: Meliante preso por tentativa de roubo.
Em ambos os casos, dois profissionais de segurança tiveram de tomar decisões rápidas e baseadas em anos de treinamento, tendo obtido o êxito na ocorrência. Muitos dirão: Mas especialistas orientam a não reagir. Correto, porém não esqueça que ambos aqui citados são especialistas e mensuraram exatamente o risco de suas ações, tendo decidido pelo melhor caminho a seguir.
E o cidadão que não possui este treinamento?  Obviamente não deverá reagir, mas poderá e deverá minimizar os riscos para que isto aconteça, ou mesmo durante o acontecimento.
Para quem pôde assistir a gravação feita pela câmera do motociclista e amplamente divulgada na internet, verá que o bandido solicita que o motociclista entregue o controle remoto da motocicleta, ou seja, este já sabe que um bem deste valor tem um dispositivo de segurança que trava a moto ao se afasta do chaveiro. O que fazer então? Ampliar a segurança, para isto pode-se instalar um rastreador veicular monitorado, que permitirá a localização e bloqueio da motocicleta, com apoio de uma empresa e das forças de segurança. O mesmo caso se aplicaria ao caso da Sargento no Amazonas, caso tivesse optado por entregar seu veículo.
No caso da Sargento ainda podemos extrair o grande exemplo de instruir nossos filhos e parentes de como agir em situações de extremo risco. Este tipo de orientação evita que se entre em pânico em situações perigosas, uma vez que já se possui um plano a ser seguido, diferente das pessoas que são pegas de surpresa. Um grande exemplo é uma criança que não sabe nadar e é empurrada na piscina, como não possui um plano irá se desesperar e afogar, diferente da que sabe nadar e terá pleno domínio de toda situação.

Tiremos exemplos dos casos aqui descritos e mudemos nossa forma de agir, seja ampliando seu nível de segurança com dispositivos eletrônicos de segurança, ou mesmo com orientações para familiares e treinamentos específicos, mas a grande questão é que devemos Estar Prontos caso ocorra uma situação de risco real.

           Vinícius Almeida
Major PMAM/ Consultor de Segurança 

Violência e a Letargia Social

Lembro-me do fato ocorrido em 2006, onde vimos a Ministra Ellen Grayce ser vítima de um roubo na linha vermelhe, logo após sair do Aeroporto Galeão, na cidade do Rio de Janeiro.
Hoje, 01 de outubro de 2013, em Manaus-AM, tivemos a triste notícia de um latrocínio onde pai e filho, ambos trabalhadores, o pai dono do Restaurante Rei do Carneiro, tradicional na cidade de Manaus, e seu filho recém-formado em Odontologia, foram covardemente assassinados simplesmente pela maldade humana, até porque não se recusaram em colaborar, ou mesmo esboçaram reação alguma diante a violência sofrida.
Você deve estar se perguntando: Mas o que estes dois eventos tem em comum?
Vejamos: Na primeira citação a sociedade expressou todo seu rancor ao comentar o fato (o que pode ser comprovado com mais de 500 comentários publicados no G1 a época)   das autoridades Brasileiras agirem de forma dissociada da realidade, tendo o povo de certa forma até comemorado o fato de um "semi-Deus" ter sido vítima das agruras sofridas pelos mortais.  A Ministra deu uma declaração que o fato poderia ter acontecido com qualquer pessoa da sociedade, esquecendo a mesma que isso realmente acontece todo dia, porém os demais cidadãos não tem o direito ao aparato de investigação da Polícia Federal a seu favor, muito menos o tratamento dispensado.
A grande verdade é que o Brasileiro, e o povo amazonense não poderiam ser diferentes, é completamente letárgico a tudo isso e vez por outra parecem acordar para logo em seguida voltar ao sono de Cinderela. Age-se como se a violência fosse um fantasma ao longe, onde se pode até enxergar sua silhueta, mas jamais distinguir sua face, porém esta não é a realidade. Esta violência é real e esta cara a cara com todos nós, e mais presente que nunca. 
Discute-se o tema da mesma forma que amigos debatem numa quarta-feira a respeito do jogo de seus times favoritos, apenas com emoção, com meias informações. Não se tem o interesse de ir a fundo, de buscar as causas e não as consequências, e pior, em virtude disto, a cobrança não poderia ser diferente, ou seja, sempre o mesmo discurso de “Queremos mais segurança!”, mas que segurança realmente queremos?
Hoje, não diferente do caso da Ministra, li diversos textos de repúdios, de discursos inflamados, porém tendo sempre o mesmo alvo, que é a Segurança Pública. Será que somente esta é capaz de conter a escalada da violência? Será que mais policiamento por si só será suficiente para tornar nossa sociedade como há 20, 30 anos atrás? Na verdade sempre um discurso simplista e com alvo predefinido, seja pela falta de senso critico ou mesmo pela manipulação sofrida diariamente pela mídia. 
Os fatores da escalada da violência levariam uma biblioteca inteira na busca de explicar seus mais variados motivos, porém alguns pontos são explícitos, como a ausência de legislação penal dura, um sistema prisional que realmente recupere o apenado, uma educação de qualidade, uma politica de desenvolvimento clara para a Nação (uma vez que não temos um planejamento estratégico definido), uma politica de investimento em segurança pública factível e real, dentre tantos outros não menos importantes.
Quanto à sociedade deixamos um novo  ponto de reflexão a respeito de mais um custo que ora se torna inevitável, que é o investimento em segurança privada, que pode se dar na forma de sistemas eletrônicos e/ou patrimoniais, sendo mais um absurdo diante de tantos impostos pagos, mas infinitamente inferior ao custo da perda de um ente querido.
Fica nosso pesar a família do grande trabalhador Xavier o qual, juntamente com sua família, escreveu seu nome no rol das pessoas honradas, e que infelizmente se fez vitima de uma sociedade que valoriza mais o bandido que o trabalhador.

               Vinícius Almeida
Major da PMAM/ Consultor de Segurança